EQUIPE MULTIPROFISSIONAL: O PAPEL DA PSICOLOGIA NO AUXÍLIO DA REEDUCAÇÃO ALIMENTAR

    EQUIPE MULTIPROFISSIONAL: O PAPEL DA PSICOLOGIA NO AUXÍLIO DA REEDUCAÇÃO ALIMENTAR

    Por Taís Santos
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    Quando um indivíduo se alimenta, naturalmente ativa vários processos: Corporais (fisiológicos), psicológicos, sociais, culturais e até econômicos, assim quando é necessário intervir para alterar o processo, a forma com a qual uma pessoa ou família se alimenta, é necessário abordar todas estas temáticas. Segundo Maluf (2014, p.43) “Cuidar da alimentação é promover a saúde, bem como fortalecer os vínculos sociais e o sentimento de pertencimento a um grupo, além de expressar nossa maneira de ser no mundo”.

    O papel do psicólogo no processo de reeducação alimentar consiste em atuar como um suporte, na garantia de um espaço destinado a verificar as condições mais pessoais do indivíduo, onde ele possa expressar suas angústias, medos, receios, satisfação e insatisfações, motivações (se são ou não saudáveis), indicando suas particularidades e objetivos. Neste processo o psicólogo trabalha no sentido de tornar o indivíduo mais consciente de suas escolhas e condições, para que seja capaz de fazer melhores opções sem os sentimentos de culpa, restrição ou punição que costumam surgir com a reeducação alimentar, de uma forma mais tranquila e construtiva quanto possível.

    O psicólogo atua visando auxiliar e facilitar as demais intervenções feitas por outros profissionais. Este é um processo que exige uma equipe multidisciplinar, geralmente composta por nutricionista, clínico e psicólogo, em casos mais complexos pode exigir a participação de psiquiatra e outros profissionais mais específicos.

    Durante o processo de reeducação alimentar e para manutenção deste novo modo na vida do indivíduo, o psicólogo pode participar de diversas maneiras, pode informar (transmitir conceitos e informações), orientar (conceder informações direcionadaspara mudança de comportamentos) e pode ainda educar (contribuir na melhoraria de atitude e adequação a práticas), voltadas as questões que podem ser trabalhadas terapeuticamente, podendo ocorrer de forma individual e/ou coletiva. Estas tarefas envolvem efetivamente mudanças no comportamento alimentar, estimulaçãodo pensar sobre os alimentos, visando melhorar as escolhas e os modos de alimentação, sejam domésticas ou sociais/públicas, que sejam adequadas e possíveis para o contexto do indivíduo, pode contribuir com a avaliação de crenças relacionadas aos alimentos e auto estima.

    O psicólogoparticipa, ainda mais ativamente, do diagnóstico e acompanhamentode transtornos alimentares específicos (anorexia nervosa, bulimia nervosa, transtornos alimentares não especificados entre outros), diagnóstico e acompanhamento de transtornos que atuem de forma secundárias aos transtornos alimentares (transtorno de humor, ansiedade, uso de outras substâncias – laxantes, diuréticos e outros –, transtornos de personalidade entre outros), essas intervenções indicam a necessidade de um acompanhamento terapêutico (AMIGO, 2004).

    Atua ainda e de forma condicionante em intervenções mais complexas (sobrepeso, obesidade) que exigem mudanças de rotina (restrições alimentares e atividades físicas) e possíveis intervenções cirúrgicas (bariátrica) entre outros procedimentos. Desta forma participação do psicólogo é de grande importância, não centralizada no sentido de substituir ou se sobrepor as demais, mas propondo formas para lidar com as intervenções e mudanças propostas, respeitando limites, orientações e promovendo maior satisfação e adesão e continuidade ao processo de reeducação alimentar.

    Referências
    AMIGO, Veruska Lastrai. Comorbidades Clínicas e PsiquiátricasIn:CLAUDINO, Angélica de Medeiros; ZNELLA, Maria Teresa. Guia de transtornos alimentares e obesidade. Série guias de medicina ambulatorial e hospitalar – Barueri, SP: Manole, 2005.
    MALUF, Paula Penatti. Comportamento Alimentar e seus componentesIn Educação alimentar e nutricional: da Teoria á pratica. Mônica Santiago Galisa [et al] – 1. Ed – Vila Mariana, SP: Roca, 2014.